terça-feira, 13 de outubro de 2009

.fim.

E com esta termino este blog. Começou no meu primeiro dia de Verão.

Ontem, estranhamente, o calor voltou a Lisboa. Dizem que acaba amanhã.
Mas antes que acabe, eu também termino aqui uma página da minha vida.

Foi bom ter-te como "companhia" nestes meses. Prometo que outros se seguirão depois de ti.
Escrever faz-me tão bem. É mais do que uma terapia...

Obrigado e até outro dia...:)

.cinema.

"És demasiada areia para o meu camião". Pensei. Que frase terrível!

Senti-me nervosa, sem saber o que dizer. Senti-me estúpida.
Não sabia sobre o que falar nem como ir buscar algo a dentro de ti.

Quebrou-se o gelo. Acho eu. Mas que grande bloco de gelo.

Voltei a sentir-me uma miúda também. Há muito que não me sentia assim.Intimidaste-me. Senti que cada coisa que dizia, servia apenas para preencher o espaço vazio que existia entre nós. Palavras soltas.

A cada 5 minutos lembrava-me que estava contigo. Mesmo durante o filme. Lembrava-me de como é difícil para mim esta situação, mas como me obrigo a vivê-la. As pessoas dizem-me: Vai, faz-te bem!

Mas que sabem as pessoas? Sim, faz-me bem sair do meu umbigo, da minha casa e ir para o desconhecido. Mas porque não consigo ser eu própria?

"Crias-te um monstro" (está é para ti...sabes...)

Sinto-me inadaptada. Mas talvez todos se sintam assim. Não sei.

Sei lá no fundo que sim, que é bom para mim. Pois permite-me conhecer-me melhor.
Faz-me sair deste universo emocional e romântico em que vivo todos os dias. Este ideal sem sentido.

Vou aprendendo a desprender-me do ideal. Mas custa.

Gostei de te conhecer. A sério que gostei. Tento não atribuir significado ao facto de nos termos conhecido. Isso é o que sempre faço. Vou tentar não te por numa caixinha com um rótulo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

.visão.

Por falar nisso, no outro dia tive uma “visão”. Era uma imagem nítida de uma casa de campo e eu estava dentro dela. O plano de fundo era a cozinha em tons terra e uma mesa grande de madeira. Tu estavas sentada à cabeceira e alguém de pé ao teu lado. Falavam sobre banalidades. Tinhas uma caneca de chá fumegante na mão esquerda e aquecias a mão direita colocando-a por cima desta. Tinhas um sorriso permanente, não muito óbvio. Não vivíamos nesta casa. Era literalmente uma casa de campo. Era um sonho tornado realidade. Cheio de paz, cheio de silêncio, cheio de objectos reconfortantes, cheio de cores bonitas, cheio de amor. Não é aquele amor colorido e leve. É aquele amor de alma.
Enfim, chamo-lhe visão pois estava literalmente de olhos abertos e esta imagem apareceu-me. Se soubesse desenhar faria uma reprodução perfeita.

Garanto-te.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

.era uma vez.

Era uma vez uma rapariga que gostava de uma rapariga.
Num dia qualquer a segunda, a quem vou chamar Mia, tocou à campainha de Ana, a primeira.

Ana ficava sempre nervosa quando esperava por Mia.Olhava para todos os pormenores da casa, antes de abrir a porta, na certeza de que Mia não iria encontrar nada fora do lugar. Apesar disto, apresentava sempre uma atitude calma e descontraída, como se não se importasse.

Mia entrou e prontamente beijou Ana na boca. Prontamente também lhe pediu o que vinha buscar. Ana, que nunca sabe o que esperar perguntou: “Para onde vais com tanta pressa?”. Ao que Mia responde: “O rapazinho está lá em baixo, vamos fazer tempo para não apanharmos trânsito na volta para casa”.

O rapazinho é a nova paixão de Mia. Como se diz na minha terra e acho que em qualquer outra terra, ele é estrangeiro. Está a passar cá apenas algumas semanas.
Mia está embriagada de amor. Faz coisas inacreditáveis por ele.

Ana respondeu: “Tudo bem, se quiserem podem fazer tempo aqui e faço-vos um cházinho.”
Estas palavras saem da boca de Ana sem qualquer razão. Para sua sorte, sabe que Mia não vai aceitar, pois sabe o quanto Ana a ama. Ana ama tanto Mia, que se propõe a fazer cházinho para o seu apaixonado.

Esta é parte da história de uma rapariga que gosta de uma rapariga. Tudo sem sentido, muito sem palavras, muito sem explicação. Os acontecimentos sucedem a Mia e a Ana, como se fossem marionetas do destino.

Mia também ama Ana, à sua maneira. O beijo que lhe deu foi um beijo de amor. Um beijo de compreensão.

Elas compreendem-se. Têm uma ligação de alma.

Na maioria dos dias Ana sofre e tem pena dela mesma. Acha que merece mais, acha que isto está errado. Há mesmo dias em que se convence disto e começa a mover-se para fora, começa a sair. Assim que o faz Mia volta. Volta incessantemente. Sem nunca explicar, sem nunca dizer porquê, sem nunca, mas mesmo nunca pedir permissão. E Ana deixa.

Mia e Ana não sabem. Não sabem o que será da sua história. Não querem saber, pois é tão forte que pode tomar conta delas.

Vivem destes momentos incompreensíveis, que ninguém aprova, que ninguém entende. Mas vivem, pois não sabem ser de outra forma.

As mãos de Ana precisam das mãos de Mia. O coração de Mia precisa do coração de Ana. Elas precisam-se.

Perturba-me.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

.errrrr.

Errrrrr...Que nervos!
A falta de tolerância compreensão das pessoas ultrapassa-me!

Vou contar-vos uma história:

A minha mãe, tinha uma amiga, que fazia tudo por ela. Dizia-lhe que sim a tudo. Tanto que por vezes a minha mãe achava estranho e até um bocado enfadonho. Mas, durante uns anos lá conviveram em paz. Eu estava no início da adolescência e tinha mais que fazer do que tentar perceber as amizades da minha mãe.

Um dia, sem qualquer razão aparente, essa amiga deixou de falar com a minha mãe. Sem justificações, sem porquês, sem mas, sem nada...absolutamente nada. A minha mãe ficou "em choque" sem perceber as alegadas razões da senhora.

Isto foi há cerca de 10 anos. Ainda hoje passam uma pela outra na rua e nem se olham.
Na altura dei toda a razão à minha mãe e também não percebia o que se tinha passado.
Agora, em retrospectiva, percebo o que aconteceu.

A minha mãe, sendo uma pessoa extremamente temperamental, não dava espaço para a amiga ser ela própria, para ter opiniões.Basicamente, para nada. Um dia deve lhe ter saltado a tampa e desligou-se da minha mãe.

Ai como eu agora percebo a amiga da minha mãe!
Tenho situações na vida mesmo parecidas.

É claro que sou eu própria e não me anulo para ter amigos ou amigas, mas há certas pessoas que me tiram do sério. Pois não sabem ouvir que não ou simplesmente não concebem eu não fazer o que elas estão à espera.

Enfim, talvez tenha aprendido com as amigas da minha mãe a ser assim. A verdade é que me estou a desprender e aparentemente isso chateia algumas pessoas.

E pior. O que me chateia mesmo é não gostar de dizer que não, de sentir-me mal por isso e ainda ter que levar com os amuos dos outros!

Errrr!!! Hoje pisaram-me os calos.

domingo, 20 de setembro de 2009

.animais.

Os animais...São seres engraçados.

Tenho uma gata. Tem cá um feitio que não vos digo nada. Dizem que normalmente são parecidos aos donos. Eu não sei...

Tudo tem que ser como e quando ela quer. De manhã, tem o costume de vir miar para a porta do meu quarto, quando sente que eu acordei. Às vezes ainda nem abri os olhos e já estou a ouvi-la. Depois de abrir a porta do quarto, faz questão de se espreguiçar à minha frente e indicar-me o caminho para a casa de banho. Ela tem que entrar primeiro, pois tem um fetiche qualquer com portas fechadas. Sempre que se abrem ela tem que entrar. Enquanto eu estou na casa de banho, ainda meia a dormir, ela anda de um lado para o outro como se de uma passagem de modelos se tratasse.
Depois, durante uns minutos, para onde quer que eu vá segue-me, muitas vezes fazendo questão que eu tropece nas suas patinhas minúsculas. Quase que tenho que lhe pedir permissão para andar.
Normalmente não gosto de ser "incomodada" de manhã, mas também sei que tenho que aproveitar estes momentos, porque, durante o resto do dia ela simplesmente, dorme. À noite, se me sento no sofá a ver televisão, por vezes deita-se no meu colo. Demora sempre algum tempo a se ajeitar e por vezes eu tenho que mudar de posição para a princesa ficar confortável.

Ah! E quando tem fome? É engraçado. Ela está comigo há um ano e meio e foram raras as vezes que deixei a taça da comida vazia. Então, quando isso acontece, consigo distinguir o miar dela, que fica diferente. É histérico! Parece que o mundo vai acabar. É muito mimada a minha gatinha.

Tirando isto, por vezes invejo-a. Tem uma vida simples. Alguém lhe limpa a casa de banho, todos os dias dá-lhe de comer e beber e já para não falar nos miminhos.Ah! E para tomar banho só tem que se lamber! Ser gato deve ser bom. A maior preocupação dela são os pombos que passam em frente à varanda e os estranhos que por vezes entram em casa.

Ser gato deve ser bom...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

.altos e baixos.

Os altos e baixos dos dias, da vida. São imprevisíveis. As atitudes das pessoas, o desenrolar dos acontecimentos escapam ao esperado. Sempre tive dificuldade em lidar com isso pois tudo o que me dizem ou fazem afecta-me patologicamente. Funciona para os dois lados. Às vezes basta sorrirem para mim para tornar o meu dia mais feliz. Às vezes basta um olhar para me magoarem profundamente.

Muitas vezes penso que as pessoas não têm noção da influência das suas palavras e dos seus actos sobre mim. Também sei que não têm obrigação de saber. Ao longo dos anos fui arranjando estratégias de defesa. A que mais uso é, quando alguém me magoa, pego nesse acontecimento, analiso-o e, na maioria das vezes decido: " A partir de agora vou mudar de atitude em relação a esta pessoa".

Não sei se me estou a fazer entender. Isto parece fácil e até um pouco fútil, mas, mudar de relacionamento com alguém pode ser bastante complicado.

Normalmente, o que acontece depois é toda aquela força e coragem iniciais se desvanescerem e tudo voltar mais ou menos ao que era dantes. Com a diferença de que agora, eu estou mais magoada.

É algo que tenho que resolver. Hoje em conversa percebi que tudo passa por ser eu própria, sem medo que as pessoas me abandonem.

Mas às vezes, com o cansaço, mais emocional que físico, o que apetece mesmo é mandar tudo à merda e não fazer qualquer esforço para manter amizades. Perder a cabeça.
Às vezes tenho flashes de adrenalina que me dizem para largar tudo e todos e não querer saber de mais nada. IR...SER...

Mas são apenas momentos. E no final de contas, pesando na balança, não são esses os momentos que mais pesam...